Uma rápida introdução
O tema "televisão digital" vai dominar boa parte das aulas do nosso curso de Comunicação Audiovisual. No último dia 25 de março, demos o pontapé inicial no assunto, discutindo pela primeira vez o impacto que essa inovação deve causar no Brasil. Dessa vez, o Grupo dos Bombons apresenta o resumo da aula em dois formatos: Podcast e texto corrido. E, na seqüência, disponibilizamos uma série de artigos, sites e vídeos - além de um glossário - para melhor aprofundamento do que já foi debatido. Esperamos que vocês aproveitem!
Podcast
Para quem está com pregüiça de ler o resto do post, basta conferir o prático Podcast do Grupo dos Bombons para entender o que aconteceu na aula do último dia 25:
Resumo da aula
Antes de entrar no tema "televisão digital", começamos a aula discutindo o texto "Sim, a propaganda tradicional vai morrer", escrito pelo publicitário Miguel Genovese. Espécie de resumo do que estudamos nas aulas anteriores, o artigo apresenta uma idéia polêmica, baseada na tese de que a realidade virtual está tornando os anúncios cada vez mais baratos e democráticos. Desse modo, anunciantes que anteriormente não tinham capacidade de atingir um público muito grande estão ganhando bastante visibilidade, e sem gastar quase nada.
Resumo da aula
Antes de entrar no tema "televisão digital", começamos a aula discutindo o texto "Sim, a propaganda tradicional vai morrer", escrito pelo publicitário Miguel Genovese. Espécie de resumo do que estudamos nas aulas anteriores, o artigo apresenta uma idéia polêmica, baseada na tese de que a realidade virtual está tornando os anúncios cada vez mais baratos e democráticos. Desse modo, anunciantes que anteriormente não tinham capacidade de atingir um público muito grande estão ganhando bastante visibilidade, e sem gastar quase nada.
Na seqüência, conhecemos alguns modelos de sucesso desse novo tipo de comunicação online: a revista "Ehlas". Idealizada para um grupo bem reduzido - as mulheres que praticam surf - a publicação pode fazer sucesso por ocupar um "nicho" de mercado que estava em aberto. Embora tenha sido lançada há pouquíssimo tempo, a Ehlas já recebeu certa publicadade no meio ao qual é destinada, e parece ter um futuro muito promissor.
Depois disso, finalmente, entramos no tema principal da aula do último dia 25.
"A televisão digital oferece opções de interatividade". Foi essa a conclusão inicial da turma, quando começamos a discutir os efeitos da chegada da televisão digital no Brasil. A inovação já está disponível em São Paulo desde o último dia 2 de dezembro, embora os telespectadores ainda não possam desfrutar de todas as suas vantagens por enquanto.
Isso acontece porque uma boa parte das emissoras de TV reluta em transmitir seu sinal em High Definition (HD), continuando a passar seus programas em Standard Definition (SD). Por causa disso, os telespectadores permanecem recebendo o mesmo sinal de antes, com qualidade de som e grau de nitidez piores. Apesar disso, as perspectivas são boas para esses telespectadores que já adotaram a televisão digital aqui no Brasil.
Por ter começado a desenvolver o seu sistema depois de outros países, o Brasil teve a oportunidade de incluir na "sua" televisão digital algumas tecnologias que os outros não puderam, como o middleware "Ginga" e o formato "mp4". Assim, o Brasil tem a televisão digital mais moderna do mundo, apesar da maioria da população ainda não ter acesso a essa novidade. No Rio de Janeiro, a televisão digital só deve chegar no dia 20 de abril, enquanto as outras regiões do país só devem ter a mesma oportunidade no segundo semestre deste ano.
De qualquer maneira, as transmissões em HD vieram para ficar. Podemos fazer um paralelo com a época em que a televisão se dividia entre "em cores" e "preto e branco". Mesmo após a chegada dos televisores "em cores", os "preto e branco" continuaram a ser vendidos durante certo tempo, até que o seu público simplesmente desapareceu. É exatamente isso que deve acontecer com as transmissões em SD: elas ainda devem permanecer por mais alguns anos, até que a maioria da população complete a transição para HD. A partir daí, a tendência é que as atrações em SD sejam cada vez mais raras.
Atualmente, as empresas de televisão a cabo realizam suas transmissões no formato digital, mas ainda em SD. Como as emissoras não transmitem seu sinal em HD para NET, Sky, DirecTV e companhia, estas últimas não têm como mostrar os programas em alta definição para seus usuários. Isso só deve mudar com a pressão dos assinantes, que vão forçar as empresas de televisão a cabo a pagarem uma taxa extra para receberem as transmissões em HD.
Para "entrar" na televisão digital, o consumidor precisa adaptar tanto o televisor quanto o decodificador. Mudar apenas um dos dois não é suficiente. Primeiramente, é necessário que o televisor tenha resolução de 1920 x 1080, e um mínimo de 40 polegadas. Se tiver menos do que isso, as imagens vão vir na resolução 720 x 480, que satisfaz apenas às transmissões em SD. Ao mesmo tempo, o decodificador precisa ser um "set-top box"', capaz de "interpretar" as informações que vêm de satélite para mostrar os programas no formato digital.
Na televisão digital, uma série de inovações estão incluídas. Entre elas, a possibilidade de comprar filmes, canais e eventos por controle remoto, e a capacidade de gravar, pausar e rever programas. No caso de uma transmissão ao vivo, porém, não será possível "cortar" os comerciais, já que as imagens estão chegando naquele momento.
Estes foram apenas alguns dos temas que nós abordamos em sala de aula. Para maior aprofundamento do assunto, recomendamos os artigos, sites e vídeos abaixo:
Artigos para aprofundamento
- http://publique.rdc.puc-rio.br/clipping/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm - Para visualizar o texto, clique em "domingo", e depois em "Por que o futuro é o universo digital". Na verdade, trata-se de um resumo de uma reportagem do Jornal do Brasil do último domingo, que publicou uma entrevista com o professor da PUC-Rio Luiz Fernando Soares. O tema? A televisão digital, é claro...
- http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=476TVQ001 - O artigo do jornalista Nelson Hoineff - escrito no início deste mês - mistura vários temas que estão sendo debatidos em sala de aula. Entre outros assuntos, Hoineff discute a importância da televisão para os jovens, e as novas tecnologias que chegam junto com a televisão digital.
- http://www.radiobras.gov.br/materia_i_2004.php?materia=268537&q=1&editoria=NA e http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2006/06/29/materia.2006-06-29.1657327261/view. As reportagens - ambas de autoria de Cecília Jorge - relatam posições de vista diferentes sobre a opção do Brasil de seguir o modelo japonês para instalar a televisão digital por aqui. Será que a escolha foi certa ou errada? Vale a pena conferir os textos para se ter uma opinião.
Sites recomendados
- http://www.dtv.org.br/ - Endereço oficial da televisão digital no Brasil. Inclui explicações gerais sobre o sistema brasileiro, uma sessão de "perguntas freqüentes" e um glossário de termos técnicos.
- http://www.ginga.org.br/ - O "Ginga" é o middleware desenvolvido no Brasil para "gerenciar as funções de interatividade na televisão digital brasileira". Peça essencial para aqueles que desejarem fazer a transição da TV analógica para a digital, o "Ginga" ganhou este site próprio, montado pelos técnicos responsáveis pela sua criação.
Vídeos
Reportagem do programa "Olhar Digital" sobre a chegada da televisão digital em São Paulo. O que já mudou, o que ainda vai mudar, e o que é preciso para mudar.
Matéria do "Jornal Nacional" que foi ao ar em 30 de junho de 2006. Um dia antes, o Brasil havia assinado acordo com o Japão para usar o modelo japonês na implementação da televisão digital por aqui. E a repórter Sônia Bridi mostrava como a inovação já estava mudando a "Terra do Sol Nascente".
Glossário
Não há como negar que a discussão em torno da televisão digital envolve uma série de termos técnicos, que às vezes dificultam o debate. Para facilitar um pouco, preparamos um pequeno glossário com algumas siglas e palavrinhas fundamentais:
- SDTV (Standard Definition TV)*: São os televisores que têm definição nativa de 480 linhas horizontais. A maior parte dos televisores presentes no mercado pode reproduzir sinais com 480 linhas entrelaçadas. Com transmissão digital, a qualidade de imagem destes televisores será a mesma que eles apresentam quando conectados a um DVD. O conceito SDTV tem relação com a qualidade de imagem e não com o fato do produto ser digital ou analógico. Um produto SDTV pode ter um sintonizador digital.
- HDTV (High Definition TV)*: São os televisores capazes de reproduzir imagens com definição de 720 ou 1080 linhas horizontais. Caso possuam a função "progressive scan" e capacidade de exibir imagens com 1080 linhas de definição horizontal progressiva (1080p), esses televisores ficam conhecidos como FULL HD. Dependendo da fonte do sinal, podem exibir a melhor definição disponível em alta definição.
- Progressive Scan*: Alguns televisores ou geradores de imagem possuem um sistema de processamento de sinal chamado "progressive scan". Neste caso, cada quadro de imagem é formado seqüencialmente, gerando melhoria considerável na qualidade de imagem. Grande parte dos televisores de LCD e Plasma disponíveis no mercado já incorporam esta tecnologia.
- Televisor Digital*: É todo televisor que possui um sintonizador interno que permita receber as transmissões digitais sem necessidade, por exemplo, de um Conversor Digital. Esse televisor pode receber também transmissões analógicas.
- Televisor Analógico*: É todo televisor que possui um sintonizador interno que permita receber as transmissões analógicas más não recebe transmissões digitais, necessitando para isso de um Conversor Digital (set-top box).
- Formato da Imagem (4:3/16:9)*: Esses números representam a proporção entre largura e altura da tela. Toda transmissão em HDTV será no formato 16:9, que é muito parecido com os filmes feitos em películas (analógicos).
- Set-Top Box**: É um termo que descreve um equipamento que se conecta a um televisor e a uma fonte externa de sinal, e transforma este sinal em conteúdo num formato que possa ser apresentado em uma tela.
- Middleware**: é um programa de computador que faz a mediação entre outros softwares.
- Ginga**: é o middleware que gerenciará as funções de interatividade na televisão digital do Brasil. Espera-se que ele esteja presente nos set-top boxes vendidos no Brasil a partir de meados deste ano.
* = definições adaptadas do site DTV
** = definições adaptadas da WikipediaPor enquanto é isso aí, galera. Até a próxima!
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